A adaptação na escola: como pode ser mais fácil

Com empatia e respeito ao momento, a adaptação na escola pode se transformar em um delicioso de desafio cheio de conquistas

 

Após a resistência de início, as crianças conseguem se integrar e brincar.                               Com respeito, podem fazer uma tranquila adaptação na escola.

A adaptação na escola pode ser marcada por certa dificuldade. Há crianças que choram ao despedir-se dos pais, outras que ignoram o pedido de beijo, outras que resistem em entrar na sala organizada para sua recepção.

Muitos pais ficam bastante desconfortáveis quando a despedida não ocorre de forma tranquila. Principalmente quando deixam seus filhos chorando. Sensação, aliás, perfeitamente legítima!

Mas é preciso entender a delicadeza deste momento. A chegada corresponde ao momento da separação da criança com seus pais. Corresponde também a uma mudança de papel, quando deixam de ser filho e tornam-se uma criança da turma.

É preciso entender a delicadeza deste momento. A chegada corresponde ao momento da separação da criança com seus pais. Corresponde também a uma mudança de papel, quando deixam de ser filho e tornam-se uma criança da turma.

Por mais que conheçam a rotina diária e que gostem de permanecer na escola, muitas crianças resistem a esta mudança. Prolongar a despedida e aguardar que a criança se acalme não costuma ajudar muito. É preciso que a criança se desvincule, temporariamente, dos pais para que consiga assumir os desafios diários de pertencer a um grupo.

É por isso, que pouco depois da despedida, as crianças conseguem brincar e participar dos diferentes momentos organizados para seu grupo.Portanto, mudar o olhar para este momento pode ajudar muito. As crianças, sentindo a segurança dos pais, o carinho e a atenção às suas inseguranças, irão enfrentar esse momento com mais confiança. São muitas idas e vindas. Mas a ida à escola é um processo de amadurecimento e autonomia que será positivo para todos.

 

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Febre amarela na cidade? Por que ela chegou até nós?

A febre amarela tem chegado mais perto das cidades e preocupa as pessoas, causando filas nos postos de saúde que oferecem vacinas contra a doença

Entrevista com o pediatra Dr. José Armando Simões Macedo

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Comum na região amazônica, a febre amarela tem causado preocupação na população do Estado de São Paulo e também de outras regiões do país. O vírus é mais preponderante na forma silvestre, mas teme-se que ele tome a forma urbana – casos que não são registrados no país desde 1942 –  o que causaria uma grande epidemia difícil de ser controlada.

Transmitido, principalmente, pelo mosquito da espécie haemagogus, o vírus também pode se espalhar por meio do Aedes aegypti, mosquito em abundância no Estado e que já causa grandes transtornos com a transmissão de outras doenças como a dengue, chikungunya e zika. A OMS (Organização Mundial da Saúde) já considera o Estado de São Paulo uma área de risco para a febre amarela. Os que visitarem a cidade precisam estar imunizados.

Desde 2014, as mortes causadas pela febre amarela comprovam a circulação do vírus em outras áreas no país. O rompimento da barragem de Fundão, próximo à cidade de Mariana (MG), em 2015, pode ter contribuído de forma importante para a circulação do vírus na região sudeste do Brasil, já que o impacto ambiental modificou biodiversidades.

O Espaço da Vila conversou, no final de janeiro, com o pediatra Dr. José Armando Simões Macedo para esclarecer alguns pontos da doença e saber a melhor forma de nos prevenir e proteger os pequenos desta perigosa doença. José Armando é formado pela Unifesp, tem 28 anos de experiência em consultório. Também é homeopata membro da Associação Paulista de Homeopatia e estudos em Psicologia e estuda, há 15 anos,  o pediatra e psicanalista inglês Winnicott no Instituto Sedes Sapientiae. Acompanhe.     

 

Espaço da Vila. Diante de tantas notícias, ficamos em dúvida sobre o perigo real de se contrair a febre amarela na cidade. Estamos diante de um surto? Você poderia falar a respeito?

Não estamos em um surto! Até agora (dia 23/01) foram 41 casos para 42 milhões de habitantes do Estado de São Paulo. Então, é uma chance em 1 milhão de você pegar febre amarela.  O que está acontecendo é o aumento da febre amarela silvestre nos macacos. Li um artigo de uma bióloga que associa este aumento ao estresse causado em função do acidente em Mariana, que ocasionou a destruição de ecossistemas, redução de alimentação, migração de macacos e competição de grupos por comida e por espaço. Devido ao aumento da febre amarela silvestre o Governo está buscando maneiras de evitar que ela se transforme em febre amarela urbana, por isso a intensiva campanha de vacinação.

Espaço da Vila. O que os pais devem fazer para proteger seus filhos? Qual a sua opinião sobre as filas em postos de vacinação e as notícias da mídia sobre os fatos que envolvem a febre amarela?

O governo quer imunizar a população e, de fato, ela é importante, pois nas cidades existem muitos insetos, inclusive o Aedes aegypti que pode tornar-se transmissor do vírus. Se um ser humano, picado por um haemagogus na mata, desenvolver a febre amarela e for picado por um Aedes aegypti,  este inseto começa a  transmitir a febre amarela de ser humano para ser humano, caso isso ocorra pode se configurar uma epidemia de muito difícil controle, pois é uma doença que tem 40% de mortalidade por insuficiência hepática e hemorragia.

Não tem sistema de saúde, em qualquer país do mundo, que dê conta de tantos pacientes graves. É isso que se quer evitar. Quem não mora perto de mata, não corre um perigo imediato e não precisa sair correndo para vacinar, pode aguardar um pouco. Nós não temos ainda uma epidemia de febre amarela urbana.

Espaço da Vila. A vacina fracionada tem a mesma eficácia da não fracionada?

A vacina fracionada não foi testada quanto à sua eficácia. Não se sabe se ela é eficaz por três, por oito ou por dez anos. O que se sabe e que se quer vacinar o maior número de pessoas com menor risco possível de reações graves para conter essa possibilidade de epidemia de febre amarela urbana nos próximos 3 ou 4 anos. Eu acho que isso é uma tentativa válida.

Espaço da Vila. Há informações que as pessoas já vacinadas uma vez estão imunizadas. Você poderia nos esclarecer o porquê da carteira de vacinação da febre amarela durar apenas 10 anos quando se viaja para cidades ou países com este protocolo de vacinação? 

Sempre se desconfiou dessa norma de dar vacina a cada 10 anos. E, recentemente, a Organização Mundial de Saúde confirmou o fato de que uma dose na vida confere proteção. Então, quem já tomou vacina, não precisa vacinar de novo.

 

Alalaôooô: O carnaval do Espaço da Vila

Do Incrível Hulk à bailarina, o Espaço da Vila recebeu as mais diversas e animadas personalidades para seu baile de carnaval 

 

Dia 9 de fevereiro foi dia de folia no Espaço da Vila. As crianças da manhã e da tarde vieram fantasiadas para participar do carnaval mais divertido da cidade. Princesas, vampiros, brancas de neve, super-homens e homens aranhas seguiram o bloco do Lucas e o trio elétrico do Marcola, que apresentaram marchinhas e diversos sucessos do carnaval. Também pularam o carnaval a bailarina, o peter pan, o hulk e a bruxinha. As crianças compuseram as canções do bloco, com flautas, pandeiros e tambores. As serpentinas e bolinhas de sabão divertiram ainda mais a festa.

Não perca os melhores momentos dos protagonistas deste incrível carnaval e eleja seu personagem preferido.

Desenvolvimento motor infantil: uma corporeidade suficientemente boa para infância

Espaço da Vila

Por Marcos Santos Mourão (Marcola)

Diante dos sensacionalismos cibernéticos, como os pais podem saber o que é adequado ou não do ponto de vista do desenvolvimento motor infantil?

IMG_3915 Desenvolvimento motor infantil: andar, correr, deitar, rolar, galopar…

20170803_120719 O Espaço da Vila promove, nas aulas de corpo e movimento, a possibilidade de aumentar o repertório de gestos, sem desrespeitar os processos das crianças

Temos, nos dias atuais, nos deparado com inúmeras abordagens sobre o desenvolvimento motor infantil. Num mundo cada vez mais conectado, as informações circulam e alcançam números que ultrapassam a fronteira de milhões de visualizações. Vídeos de crianças pequenas, e até mesmo bebês, com habilidades incríveis escalando paredes, jogando futebol, dançando, lutando, fazendo ginástica, arremessando bola à cesta, com a performance vista em pouquíssimas pessoas adultas, circulam como se fossem algo esperado e desejável para a faixa etária.  Como isso é possível? Será que estamos estimulando corretamente nossas crianças? O que…

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Desenvolvimento motor infantil: uma corporeidade suficientemente boa para infância

Por Marcos Santos Mourão (Marcola)

Diante dos sensacionalismos cibernéticos, como os pais podem saber o que é adequado ou não do ponto de vista do desenvolvimento motor infantil?

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Desenvolvimento motor infantil: andar, correr, deitar, rolar, galopar…

20170803_120719

O Espaço da Vila promove, nas aulas de corpo e movimento, a possibilidade de aumentar o repertório de gestos, sem desrespeitar os processos das crianças

Temos, nos dias atuais, nos deparado com inúmeras abordagens sobre o desenvolvimento motor infantil. Num mundo cada vez mais conectado, as informações circulam e alcançam números que ultrapassam a fronteira de milhões de visualizações. Vídeos de crianças pequenas, e até mesmo bebês, com habilidades incríveis escalando paredes, jogando futebol, dançando, lutando, fazendo ginástica, arremessando bola à cesta, com a performance vista em pouquíssimas pessoas adultas, circulam como se fossem algo esperado e desejável para a faixa etária.  Como isso é possível? Será que estamos estimulando corretamente nossas crianças? O que pode ser considerado, do ponto de vista motor, adequado ou não, para a criança na infância?

Antes de tudo, é importante entendermos o desenvolvimento motor como um processo sequencial, contínuo, relacionado à idade, no qual um indivíduo progride de movimentos simples para habilidades motoras altamente organizadas e complexas e, finalmente, para o ajuste destas habilidades que acompanham o envelhecimento. Esse processo de mudança é controlado e regulado por fatores internos (genética) e externos ao organismo (ambiente). A genética incide nas mudanças estruturais do sistema nervoso e muscular. O ambiente, nas experiências corporais que serão oferecidas. Hoje sabemos que limites hipotéticos de realização são estabelecidos pelos genes, mas é o ambiente que determina a extensão com que as potencialidades motoras são desenvolvidas. E é sobre esse ambiente, que incide numa corporeidade suficientemente boa para a infância, que iremos tratar aqui.

As experiências corporais que trazem um excesso de controle, imobilidade, excesso de estímulos sem sentido ou significado, geram respostas vazias e inadequadas para a criança. Servem, quando muito, para o entretenimento do adulto.

Crianças na infância devem ter oportunidades de explorar, descobrir e combinar seus movimentos, sem expectativas de performance. Precisam de tempo, material (nada sofisticado), pessoas e espaço suficientes para brincar. Aprender a brincar e se divertir com o próprio corpo e movimento é essencial para o desenvolvimento.

E se o papel do adulto não é invadir e desrespeitar esse processo, qual será então?

Aprender a brincar e se divertir com o próprio corpo e movimento é essencial para o desenvolvimento motor infantil. E se o papel do adulto não é invadir e desrespeitar esse processo, qual será então?

Primeiramente, não devemos esquecer que quem oferece, organiza, altera e diversifica o ambiente para a criança é o adulto. Se ele tiver o olhar para a autonomia corporal, sabendo que esta autonomia parte dele próprio, as crianças possivelmente terão condições suficientes para um bom desenvolvimento.

Mas há algo a mais que o adulto pode oferecer, sem que a criança seja desconsiderada. Trata-se da cultura corporal que através das manifestações da dança, dos jogos, da ginástica, dos esportes e das lutas construíram gestos que nos identificam e nos definem como humanos. Para que isso ocorra, é essencial que a criança seja convidada a participar das atividades da sua forma, do seu jeito, sem que atenda a uma demanda de resultado ou de apresentação. É a cultura oferecida pelo adulto que irá trazer mais oportunidades de prática, aumentando o repertório de gestos nesta importante fase dos movimentos.

É isso que temos oferecido aqui no Espaço da Vila, através das aulas de corpo e movimento que ocorrem semanalmente. Nelas, as crianças andam, correm, pulam, deitam, rolam, engatinham, se arrastam, galopam, ficam de cabeça para baixo, enquanto cantamos e dançamos. Algumas brincadeiras também são oferecidas ao longo deste trabalho. Acreditamos que essa proposta, aliada aos momentos livres de brincadeira e exploração, de circuitos, e até mesmo de algumas brincadeiras dirigidas (poucas), contribuem para uma corporeidade suficientemente boa na primeira infância.

 

O nosso piquenique… Adeus 2017!!

No dia 09/12, em uma agradável tarde com muita comida gostosa, brincamos, cantamos e nos divertimos para uma despedida do ano que passou. O sol brindou a tarde, com muita brincadeira e cantoria do Marcola. Também teve cantoria das crianças e a participação especial dos pais com instrumentos. No final, o tradicional banho de mangueira nas crianças.  Nosso agradecimento às famílias, que depositam a confiança de seus filhos e que venha 2018! 

Veja nossos registros aqui.

Dores e delícias da chegada do segundo filho

Aumentar a família é um desejo de muitos pais e mães. Mas a chegada do segundo filho, mesmo que de forma esperada e planejada, pode trazer sentimentos confusos. Com o novo bebê, uma nova família nasce, com dinâmicas diferentes. Essa profunda transformação, aliada às reações do filho mais velho, vai exigir uma nova adaptação, pois é uma nova família que nasce, em uma nova estrutura, com novos membros que devem ir se reconhecendo como tais. Nesse meio tempo, a culpa e o cansaço podem desfocar essa adaptação.

Para atender a uma demanda de muitos pais no Espaço da Vila, convidamos o pediatra José Armando Simões Macedo para falar conosco sobre as principais dificuldades deste período e dar algumas dicas de como lidar com o irmão mais velho. José Armando é formado pela Unifesp, tem 28 anos de experiência em consultório. Também é homeopata membro da Associação Paulista de Homeopatia e estudos em Psicologia e estuda, há 15 anos, o pediatra e psicanalista inglês Winnicott no Instituto Sedes Sapientiae. Acompanhe nossa prazerosa conversa com diversas dicas essenciais para quem está passando por este momento.

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Espaço da Vila. Na sua opinião, qual é a importância, para a família ou para o desenvolvimento do primeiro filho, de se pensar no segundo filho? O que pode contribuir ou prejudicar? 

José Armando. O segundo filho é um sonho de projeto familiar. Tem muitas famílias com filhos únicos nas quais a criança vai desenvolver relação de irmão com amigos, parentes… É obvio que, com um irmão, você aprende a dividir, você aprende a se relacionar com o seu ciúme, com a sua raiva, você terá que refazer a relação, porque no dia seguinte o seu irmão vai ser não vai sair de lá… mas ter um irmão não é algo fundamental na constituição da pessoa. O principal é a ética desenvolvida na relação com os pais, são os limites que você coloca para o seu filho, que vai fazer seu filho olhar para o outro, perceber ou sentir o dano que pode provocar na relação com o outro. É o que a gente chama de alteridade. São questões à parte de ter ou não um irmão. Mas têm a ver com como os pais interferem na forma com que o filho se relaciona com todas as pessoas que estão à volta dele.

 

Espaço da Vila. Geralmente vemos o segundo filho sentir muito ciúmes e ter reações de estresse, raiva, birra… Baseado em sua experiência, que reações você vê como mais comuns sentidas pelo segundo filho? Há também resultados opostos a esse, ou seja, os mais velhos receberem muito bem o irmão? Como as famílias que geralmente têm bons resultados lidam com isso? Você pode dar alguma dica? 

José Armando. Quanto mais velho o filho é, mais maturidade ele tem para organizar as emoções que sente. Quanto mais novo, menos maturidade tem.  A hora que você vê o olhar da sua mãe destinado a outro, que é parecido com você, isso gera sensações físicas de angústia e, nessas sensações, a criança fica desorganizada, ela faz birra, pode se jogar no chão. E, ao mesmo tempo, ela percebe que os pais estão apaixonados pelo bebê e que esse bebê é um terreno que não se pode mexer. Então, a raiva geralmente escapa para os pais, às vezes para os avós, ou se tem alguma babá de confiança. Se tem outros irmãos, essa raiva pode sair em direção aos outros irmãos também. E qual é a dica que eu dou? Sempre deixar o filho mais velho em contato direto com o bebê mais novo para que esse filho mais velho posso tocar, beijar, acariciar… e aí esse bebê vai perdendo o mistério, vai se tornando mais real, ao mesmo tempo em que os pais podem ir observando os questionamentos que a criança traz para ir respondendo na medida que ela precisa. Quanto melhor o filho mais velho foi preparado para a vinda do irmão, melhor é essa recepção.  Por exemplo, um erro comum é dizer: “Ah, o bebê vai vir para brincar com você”. Bebê novo não brinca. Bebê novo mama, chora, dorme e não faz mais nada. Vai brincar apenas depois de um ano e meio. Antes disso, só ocupa o colo e a atenção da mãe.

Outra dica é levar o filho mais velho para visitar bebês pequenos, para que ele possa entrar em contato com um bebê real, não com um bebê imaginário, pois, dependendo da idade, essa criança não tem como acessar isso no imaginário. Vai ter como acessar depois dos três anos e meio, quatro. Com dois anos, não tem como.

Espaço da Vila. É comum a mulher ter sentimento de culpa com o primeiro filho quando nasce o mais novo, como se tivesse abandonado o primeiro. Esse sentimento é duradouro para a mulher ou tende a espaçar com o crescimento dos filhos? 

José Armando. É muito comum os pais terem esse tipo de fantasia, de que estão traindo o filho mais velho colocando o mais novo na família. Existe também a fantasia dos pais de que você já ama tanto uma criança, como é que vai caber uma segunda? Só que na hora que nasce, cabe todo mundo. Mas esse sentimento de culpa, se não é trabalhado, faz com que o filho mais velho tenha muito mais visibilidade do que o caçula, ou seja, que ele continue a vida de quase filho único, visto que numa segunda maternidade, a mãe tem menos dúvidas em relação ao bebê, e então, é um bebê que não precisa de muita vigilância. Essa “peninha” que os pais sentem do filho mais velho, do sofrimento que os pais impuseram a ele, vão dando muita visibilidade para esse filho mais velho, cuidando e satisfazendo as necessidades que nem sempre são necessidades, podem ser caprichos. Então, tem que ficar muito atento e trabalhar esse sentimento de culpa.

Espaço da Vila. Pela sua vivência, como fica o papel dos pais na chegada do segundo filho? Você acredita que essa culpa também os acomete?

José Armando. Os pais sentem as mesmas coisas que as mães, só que de forma diferente. Isso depende da história de cada um, de como foi criado. Se esse pai é o primeiro filho, um primogênito que sentiu ciúmes, obviamente que ele se identifica ali com essa problemática e pode atuar de diversas maneiras, mas esses sentimentos são pertinentes, tanto aos pais, quanto às mães. Mas uma coisa que queria ressaltar aqui nesta questão é que o papel de pai é o papel de mãe da família. Para que a mulher possa entrar numa viagem introspectiva de se identificar com o bebê – e ao estar identificada com ele, adivinhar o que esse bebê precisa em tempo real, se ele quer ser trocado, se ele está realmente com fome, se o que ele tem uma cólica, se aquele choro é de estresse – para isso, a mãe tem que se identificar com a memória dela de bebê, no colo da própria mãe, para conseguir adivinhar essas necessidades do bebê. E essa viagem é para dentro, portanto mais depressiva mesmo – uma das coisas que gera o famoso baby blues –, aquela tristezinha diante do nascimento do bebê. E quem banca essa viagem para dentro é o pai, que tem que dizer a essa mãe “deixa que eu cuido de você”. Quem cuida dessa mãe, visto que ela deixa de ser, nesse momento inicial, a mulher, para ser a mãe desse bebê novo? Então, quem cuida disso normalmente é um pai. O pai é quem banca essa viagem introspectiva da mulher.

Espaço da Vila. O que você diria para as mães que estão prestes a receber o segundo filho em casa? Como são os primeiros dias de adaptação, geralmente? O que pode ser feito antes, como prevenção, para uma melhor adaptação possível?

José Armando. Eu já respondi em partes essa questão. Mas deve-se promover um encontro do filho mais velho com bebê novo: deixar pegar, tocar, e como os pais normalmente estão apaixonados por esse bebê novo, é muito difícil o filho mais velho não se sentir de fora. Então, os pais têm que colocar esse filho mais velho na lida direta com o bebê, trazendo a fraldinha ou lavando o pé na hora do banho, ou, de certa forma, o colocando como um ajudante, para que esse filho mais velho se sinta fazendo parte da equipe. E quanto mais a gente desmistificar o bebê é melhor.  Funciona muito ir trazendo o filho mais velho para uma convivência com bebês pequenos para que, antes do nascimento do irmão, ele consiga sentir como é um bebê. Então, façam visita a vizinhos que tenham ganhado bebê há pouco tempo, parentes e amigos que tenham bebês pequenos. Isso serve para que o filho mais velho vá sentindo como é um bebê novo de fato. Daí, obviamente, quando nascer o irmão, não vai ter tanta novidade assim, será uma experiência já vivida. Outra coisa importante: deve-se colocar o filho mais velho nessa experiência com bebezinho novo, ver a pergunta que vai vir e só responder na medida que surjam dúvidas vindas dele. Não é uma boa ficar dando conceitos o tempo inteiro sobre como é um bebê, como ele vai ser como irmão, se vai amá-lo, porque isso vai gerando mais ansiedade e quanto menor é o filho mais velho, menos condição de contagem de tempo ele tem. Então, acho que quanto menos ele entende temporalmente o que vai acontecer, mais ele vai entrando na angústia e a angústia para uma criança de dois anos, por exemplo, se reflete birra, em choro, em atitudes de ser sempre do contra, de desobediência, porque, com isso, a criança ganha visibilidade

Espaço da Vila. Há algo mais que gostaria de falar para as famílias que estão recebendo o segundo filho ou que estão com algum problema com essa adaptação? 

José Armando. Sim, quando existe problema de adaptação com um bebê, alguma questão existe nessa dinâmica familiar. Então, não existe solução padrão, às vezes as questões de relacionamento têm a ver com a história dos próprios pais, de como eles vivenciaram a questão do nascimento dos irmãos, pode ter a ver com a dinâmica familiar dos próprios pais em duas famílias de origem. E tudo isso tem que ser analisado para entender porque está existindo um problema importante de adaptação. Agora, quando a criança é muito bem preparada e de forma pouco ansiosa, normalmente as duas primeiras semanas de pós-nascimento do bebê são bem complicadas, mas depois disso, o filho mais velho vai bem. Começa a entender, participar, não se sente mais tão ameaçado. Só vai se sentir ameaçado quando o irmão mais novo começa a sorrir, interagir, a sentar, a bater palminha. Cada evolução que o bebê novo apresenta, o irmão mais velho tem que dar uma regredida para entender o momento desse irmão, e depois que entender, vai ficar mais em paz com isso. Então, a cada evolução do bebê mais novo, existe uma regressão do filho mais velho. Isso é natural. Mas se existe um problema importante, a estrutura da família, a dinâmica de relacionamento da família tem que ser analisada individualmente.

 

 

 

Fraldas: o momento de dizer adeus

A retirada da fralda é mais um momento de amadurecimento das crianças, mas um período que sempre causa dúvida nas famílias. Quando é a hora de tirar? Quais os indícios dados pelos pequenos e quais as providências os pais devem tomar? Veja algumas orientações abaixo:

 

 Com que idade deve-se iniciar a retirada de fralda?

Obviamente há uma variação de criança para criança, mas, pela nossa experiência, observamos que depois de completarem dois anos (entre dois anos e dois anos e meio) esse processo ocorre de forma mais tranquila.

Quais os indícios para identificar que uma criança está apta para iniciar a retirada de fralda?

A partir dos dois anos de idade, as crianças começam a apresentar o desejo de deixar de usar fraldas. Os indícios mais evidentes ocorrem quando elas começam a anunciar quando fizeram xixi ou cocô; passam a resistir em fazer as trocas de fraldas e apresentam interesse pelas idas ao banheiro de seus colegas e familiares.

O maior domínio da linguagem oral contribui bastante, pois elas começam a expressar em diferentes momentos do dia seu interesse pelo uso do banheiro. Falam com frequência quais colegas já usam o banheiro, pedem para se sentar no vaso sanitário e costumam se divertir ao falar sobre este assunto.

Outro indício ocorre quando a criança se afasta do contato com outras pessoas, ficando num canto e agacham, a fim de evacuar. Ao retornarem, perguntar se ela fez cocô pode ajudar na sua percepção. É importante, nessas situações, não inibi-las através de manifestações mais intensas.

Como o processo deve ser iniciado?

Antes de iniciar a retirada propriamente dita, recomendamos que a criança use o vaso sanitário como forma de aproximação da situação de desfralde, entretanto, sem a preocupação de que ela tenha a responsabilidade de sucesso.

Isto é, antes do banho ou de uma troca de fralda é interessante colocá-la no vaso para que tente fazer o xixi ou o cocô. Não é preciso esperar muito tempo e caso a criança apresente resistência é importante tranquilizá-la, sem deixar uma atmosfera tensa.

Quando ela consegue usar o vaso, de forma satisfatória, felicite-a pelo ocorrido, mas tenha cuidado para não ter uma atitude muito eufórica, pois isso pode gerar um sentimento de vergonha na criança.

No momento da troca a fralda, caso tenha evacuado, despeje as fezes no vaso sanitário e solicite que dê descarga para que possa se “despedir” de seu cocô.

 

Antes de iniciar a retirada propriamente dita, recomendamos que a criança use o vaso sanitário como forma de aproximação da situação de desfralde, entretanto, sem a preocupação de que ela tenha a responsabilidade de sucesso.

 

Inclua a criança no momento da troca de fralda, dando-lhe algumas responsabilidades, solicitando para que jogue a fralda usada na lixeira ou, ainda, para que levante suas calças após a troca. Aproveite esses momentos para conversar sobre a vontade (a sensação) de fazer xixi e cocô.

 

E depois?

Depois de algumas experiências “descompromissadas” chega o momento de oficializar o uso das calcinhas/cuecas.

 

Nas primeiras semanas os escapes ocorrem com frequência e dificilmente as crianças solicitam para ir ao banheiro. São os adultos que as conduzem até o sanitário, salientando para a criança que já é hora de ir ao banheiro.

Ao invés de perguntar se as crianças QUEREM ir, anunciamos que ESTÁ na hora de irem ao banheiro. Uma vez que nesta idade é frequente as crianças responderem com uma negativa qualquer pergunta que indique pausa numa brincadeira.

Muitas vezes, ocorrem escapes logo após a ida ao banheiro. Isto se dá porque elas estão começando a perceber o controle, então elas retêm o xixi/cocô o máximo que conseguem e quando relaxam… O que não é motivo para censuras, mas para comentários lembrando-lhes que é para sempre pedirem para usar o sanitário.

 

E, em casa como deve ser?

Depois de combinada a data de início, leve a criança para a compra de calcinhas/cuecas, ou dê as calcinhas/cuecas como forma de presente, introduzindo-a numa situação de ritual de uma fase de crescimento.

A partir do dia combinado, deixe a criança de fralda somente nos traslados dos passeios e na hora de dormir.
Quando for difícil deixar a criança sem fralda, mantenha as idas frequentes ao banheiro, como se a fralda fosse uma calcinha/cueca.

A partir do dia combinado, deixe a criança de fralda somente nos traslados dos passeios e na hora de dormir.
Quando for difícil deixar a criança sem fralda, mantenha as idas frequentes ao banheiro, como se a fralda fosse uma calcinha/cueca.

Deve-se usar penico ou adaptador de privada?

A escolha cabe às famílias. Sugerimos o uso do adaptador de privada pelo fato de não criar uma etapa a mais neste processo, já que encontramos sanitários em todos os locais frequentados.

Caso a opção seja pelo penico, procure utilizá-lo sempre no banheiro e evite aqueles cheios de botões e aparatos, como forma de diferenciá-los de um brinquedo.

O que fazer quando ocorrer um escape?

Mantenha a calma, converse com a criança e, se o local for adequado, não a troque imediatamente, para que ela sinta o incômodo de permanecer molhada, como forma de discriminação seca/molhada.

Peça sua ajuda para a troca de roupa e sugira para que ela avise que quer ir ao banheiro de uma próxima vez.

Quando for hora de levá-la novamente ao banheiro e ela apresentar resistência, lembre-a (não a recrimine) do que aconteceu da última vez.

O que fazer quando uma criança se recusa a usar o banheiro?

Nas primeiras semanas, não faça disso um problema, pois a resistência é também uma forma de perceber o controle dos esfíncteres.

Se a recusa permanecer por mais tempo, deve-se avaliar se é melhor voltar ao uso da fralda ou se é preferível ter uma ação mais impositiva.

Caso a opção seja a volta ao uso da fralda, isto não deve ser visto como um fracasso. Deixe o “assunto” de lado e em outro momento reinicie o processo.

No caso de uma ação mais impositiva, deve-se gerar algumas situações de desconforto, mantendo-a mais tempo sentada no vaso ou mais tempo molhada. Solicitando sua ajuda para tirar a roupa molhada e para vestir a nova.

Entretanto, deve-se procurar não gerar uma tensão muito grande, uma vez que a criança, por mais difícil que seja para um adulto aceitar, não se recusa a ir ao banheiro “de propósito” ou “para chamar atenção”, mas porque de fato lhe é difícil esta discriminação.

No início, os adultos podem ajudá-las nomeando as sensações que temos quando dá vontade de urinar e evacuar, ou, ainda, sobre o incomodo de ficar molhado. Se a criança começa a ficar mais reclusa ou irritada fale com ela que o que está sentindo chama “dor de barriga” ou “vontade de fazer xixi/cocô” e a encoraje a usar o banheiro.

Reforce a sensação de prazer após uma ida ao banheiro bem sucedida – “Ufa! Que alívio!”.

 O que fazer quando a criança precisa da fralda para fazer cocô?

Algumas crianças ficam muito desconfortáveis no uso do vaso para fazer o cocô, necessitando evacuar na fralda por mais tempo.

Para ajudá-la, ofereça sempre o uso do vaso e procure deixá-la confortável usando o adaptador e um degrau para apoio dos pés. Em caso de recusa, coloque a fralda e tão logo ela termine, despeje o cocô na privada.

Criar histórias em que o cocô dela irá encontrar-se com o cocô de toda família, costumam ajudar para vencer a resistência apresentada.

Quando deve-se tirar a fralda da hora do sono?

Tanto a fralda do sono da tarde como a noturna devem ser retiradas quando permanecerem secas após o período de sono.

Para ajudar, leve sempre a criança ao banheiro antes de colocar a fralda e evite a ingestão de líquidos por pelo menos uma hora antes do sono da noite.

Não é necessário acordar no meio da noite para levar a criança ao banheiro.

É ruim tirar fralda no frio?

Não necessariamente. O clima frio não possibilita que deixemos a criança molhada por mais tempo, mas isso não se constitui num problema.

É comum as crianças ficarem mais irritadas/ansiosas no período de retirada de fralda?

Como qualquer marco de crescimento, a retirada de fralda exige da criança um grande investimento emocional. Ela percebe que os adultos têm grande expectativa sobre ela e ela mesma deposita grande expectativa sobre si. Isso pode gerar muita ansiedade, caso ela não consiga corresponder ao esperado.

Aspectos gerais a serem considerados:

  • É importante que todos os adultos envolvidos na educação da criança (pais, avós, babás, educadores, tios…) procedam de maneira semelhante no processo de retirada de fralda,
  • É preciso muita paciência, para não gerar momentos desnecessários de tensão. Afinal, uma coisa é exigir da criança um comportamento que a consideramos capaz de realizar, outra coisa é deixá-la estressada/irritada,
  • Durante o período de retirada de fralda, quando vem ao berçário ou sair, coloque na mala da criança muitas trocas de roupas (calças, shorts, meias, calcinhas/cuecas e um calçado extra),
  • Há muitos livros que tem como tema xixi e cocô – vide lista abaixo – e que ajudam as crianças a falarem sobre este tema que tanto as interessam e mobilizam neste momento,
  • Procure não tornar um tabu falar sobre puns, xixis e cocô, mas, obviamente, cuide para que o contexto seja adequado para o assunto.

Aproveitem algumas indicações de livros para este momento especial:

Da Pequena Toupeira que queria saber quem fez cocô na cabeça dela – WOLF ERLBRUCH – Companhia das Letrinhas
Coleção Que Bicho Será? – Que bicho será que fez a coisa? – Angelo Machado – Editora Nova Fronteira
Cocô de Passarinho –
Eva FurnariCompanhia das Letrinhas
Cocô no trono –
Benoit CharlatCompanhia da Letrinhas
Cuecas e calcinhas – O certo e o errado –
Todd Parr – Panda Books
O que tem dentro da sua fralda –
Guido Van Genechten – Brinque Book


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