A adaptação na escola: como pode ser mais fácil

Com empatia e respeito ao momento, a adaptação na escola pode se transformar em um delicioso de desafio cheio de conquistas

 

Após a resistência de início, as crianças conseguem se integrar e brincar.                               Com respeito, podem fazer uma tranquila adaptação na escola.

A adaptação na escola pode ser marcada por certa dificuldade. Há crianças que choram ao despedir-se dos pais, outras que ignoram o pedido de beijo, outras que resistem em entrar na sala organizada para sua recepção.

Muitos pais ficam bastante desconfortáveis quando a despedida não ocorre de forma tranquila. Principalmente quando deixam seus filhos chorando. Sensação, aliás, perfeitamente legítima!

Mas é preciso entender a delicadeza deste momento. A chegada corresponde ao momento da separação da criança com seus pais. Corresponde também a uma mudança de papel, quando deixam de ser filho e tornam-se uma criança da turma.

É preciso entender a delicadeza deste momento. A chegada corresponde ao momento da separação da criança com seus pais. Corresponde também a uma mudança de papel, quando deixam de ser filho e tornam-se uma criança da turma.

Por mais que conheçam a rotina diária e que gostem de permanecer na escola, muitas crianças resistem a esta mudança. Prolongar a despedida e aguardar que a criança se acalme não costuma ajudar muito. É preciso que a criança se desvincule, temporariamente, dos pais para que consiga assumir os desafios diários de pertencer a um grupo.

É por isso, que pouco depois da despedida, as crianças conseguem brincar e participar dos diferentes momentos organizados para seu grupo.Portanto, mudar o olhar para este momento pode ajudar muito. As crianças, sentindo a segurança dos pais, o carinho e a atenção às suas inseguranças, irão enfrentar esse momento com mais confiança. São muitas idas e vindas. Mas a ida à escola é um processo de amadurecimento e autonomia que será positivo para todos.

 

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OS NOVOS BRINQUEDOS DO ESPAÇO: Para as crianças, feito com carinho

Os novos brinquedos do Espaço da Vila, feitos pelas mãos de Lena e Ademir, divertiram, ensinaram, animaram e…. molharam as crianças… 

 

O verão estava indo embora e tínhamos que fazer alguma coisa para nos lembrar dele com carinho.

A Lena é a projetista e o Ademir o empreiteiro. Vão às compras e trazem madeiras, tecido, canos plásticos, calha, pregos, colas.

Medem tudo certinho e mãos à obra. Serra aqui, cola ali, emenda tudo, dá uma ajeitada e apalpam para ver se nada pode machucar.

Pronto para o teste e para o uso.

O barco foi um sucesso, pois todos eles quiseram subir para viajar.

O chafariz maluco, que espirra água para todos os lados, foi o que mais agradou!

Vejam aqui como a turma 2 se portou com o chafariz!

 

A calha, que virou um riozinho, não fez muito sucesso, pois se molhar era mais divertido que brincar com os barquinhos de papel!

O verão acabou, mas ainda tem dias bem quentes.

Os brinquedos ainda resistem com alguma dignidade.

Logo serão trocados por outros. Então, mais pesquisa na internet, mais ideias, mais tranqueiras e brincadeiras.

Que venham as próximas estações do ano com todos os seus encantos.

Da nossa parte, continuamos pesquisando, aprendendo e admirando a alegria das crianças, que pesquisam, aprendem e admiram esse mundo repleto de novidades.

RELATO DOS PAIS: Por que o Espaço da Vila?

Veja o relato do pai Eric Mélhem Haddad, pai da Victória Rezende Haddad, sobre o nosso Espaço

Desde o momento que conheci o Espaço da Vila já sabia que ali seria o local de ensino da minha pequena… por ser educador físico, enxerguei no método de ensino a extensão daquilo que levo para minha vida e busco passar para a minha filha… em primeiro lugar, a formação como seres humanos.
Victória e Eric Haddad, que gostam muito do Espaço da Vila
Acredito que o caminho para satisfação pessoal no mundo que vivemos deve seguir três critérios básicos; autenticidade, integridade e amor. Desde o momento que conheci o Espaço da Vila já sabia que ali seria o local de ensino da minha pequena… por ser educador físico, enxerguei no método de ensino a extensão daquilo que levo para minha vida e busco passar para a minha filha… em primeiro lugar, a formação como seres humanos. E acredito que isso se dá de maneira integral através da experimentação, do movimento, com a liberdade da criança expor sua espontaneidade, dia após dia. Abrangendo esse primeiro critério, abre-se as portas para o devido desenvolvimento da integridade e do amor.
Infelizmente, o sistema de ensino tradicional estimula e enfatiza apenas a inteligência linguística e auditiva, porém, o cinestésico, fica a desejar… e o Espaço da Vila atende a esse quesito! Resumindo, uma instituição de ensino precisa ser a extensão daquilo que acreditamos para a vida!
“O cérebro se dedica em maior parte ao movimento do que à linguagem. A linguagem seria apenas uma coisa pequena que se senta em cima deste imenso oceano de movimento” – Oliver Sacks, Neurocientista.

Forte abraço,

ERIC HADDAD

LEITURA: Lobos maus, lobo bons e os demais lobos

Listamos algumas opções de livros que têm o “Lobo” como personagem para você ler e se divertir com as crianças

Chapeuzinho Vermelho – Rosinha, Ed callis

Chapeuznho vermelho

 

Os Contos de Grimm – Edições Paulineas – Tradução de Tatiana Belinky

Os contos de Grimm

 

 

Contos de Grimm. Vols 1 e 2 – Editora Ática

 

 

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Livro de Histórias – Companhia das letrinhas

livros de histórias

O lobo não morde – Emily Gravett, editora Caramelo

Lobo não morde

Tico e os lobos maus – Valeri Gorbachevi – Editora Brinque Book

Tico e os lobos maus

Lobos – Emily Gravett – Macmillan (em espanhol)

Lobos

O Lobinho Bom – Nadia Sherren – Editora Brinque Book

o lobinho bom

RECEITA DO MÊS: Cookie de aveia

Todo o mês, receitas saudáveis, fáceis e práticas de nossas nutricionistas Camila Marion e Caroline Morioka para o lanche das crianças. Veja como fazer os cookies de aveia.

Receita Março

O momento do sono

A sensível preocupação do Espaço da Vila com as necessidades de cada criança e de cada criança dentro do grupo fazem do momento do sono um espaço de descanso tranquilo, restaurativo e acolhedor. Para respeitar essas necessidades, revemos periodicamente o que pode afetar o bem-estar de todos

Por Ana Paula Yazbek

 

 

 

No início do Espaço da Vila, em 2002, acreditávamos que seria importante garantir o momento de sono de cada uma das crianças, levando em consideração suas demandas físicas. Achávamos que com isso estávamos privilegiando as singularidades e garantindo o bem-estar físico e emocional de cada uma delas. Para dar conta do descanso de cada uma das crianças, sempre que necessário, uma educadora da turma precisava se deslocar para levá-la ao quarto.

Também, cuidávamos para que os rituais individuais fossem respeitados, isto é, ninávamos aquelas que precisavam do aconchego do colo, passeávamos de carrinho, com as que necessitavam de movimento e fazíamos cafunés nas que precisavam de um contato físico mais calmo e ritmado.

Conforme as turmas aumentaram, fomos nos deparando com inúmeras dificuldades para garantir a qualidade que desejávamos para este momento, pois havia crianças que demoravam bastante tempo para adormecer, mesmo estando muito cansadas, fazendo com que uma das educadoras ficasse deslocada da turma por um longo período.

Muitas vezes, uma criança que tinha acabado de adormecer, era acordada por outra que estava relutando em dormir.

Após dois anos buscando organizar o período de descanso focando neste ideal, percebemos que o que considerávamos um cuidado com as singularidades não se efetivava como algo prazeroso para a maior parte das crianças envolvidas. Em muitas situações, crianças que estavam com sono choravam ao serem deslocadas para os dormitórios, pois queriam participar das propostas que estavam acontecendo com as demais.

Após dois anos buscando organizar o período de descanso focando neste ideal, percebemos que o que considerávamos um cuidado com as singularidades não se efetivava como algo prazeroso para a maior parte das crianças envolvidas.

 

A partir de então, estabelecemos horários para o descanso de todas as crianças de uma mesma turma e passamos a chamar este momento de “relaxamento”.

Sabíamos que, por questões fisiológicas, os bebês de até um ano, necessitavam de no mínimo dois momentos de descanso ao longo do período, e que conforme cresciam, começavam a necessitar de um único período, mais longo, no início da tarde.

Com isso, organizamos as rotinas das turmas de forma a garantir o descanso em horários regulares. No período da manhã, os bebês passaram a dormir entre 10:30 e 11:30 e à tarde, das 15:30/16:00 às 17:00. As crianças maiores de um ano que ficavam em período integral passaram a dormir das 12:30/13:00 às 14:30/15:00. E as que frequentam somente o período da tarde, passaram a dormir 15:30/16:00 às 17:00.

Quando instituímos esta mudança, vivenciamos muitas dúvidas sobre a qualidade que estávamos oferecendo às crianças, pois as resistências ao adormecer em alguns casos ficavam ainda mais evidentes. Fomos cuidando para que o ambiente do quarto se tornasse o menos estressante possível. Conversamos muito com as crianças sobre a importância de descansarem e procuramos nos antecipar na organização do ambiente e dos acessórios (chupetas, paninhos, pelúcias), para que todas se sentissem acolhidas e convidadas a adormecer coletivamente.

À medida que o tempo foi passando, o momento do descanso foi se tornando bastante tranquilo. As crianças escolhiam onde queriam dormir, as que tinham necessidade, recebiam seus objetos de apego e eram embaladas com cantigas, balanços sutis no corpo ou cafunés.

A partir de então, vimos mantendo os horários coletivos de descanso, mas também garantimos o sono de quem precisa dormir em outro horário.

Em diferentes épocas do ano, precisamos reavaliar para que o momento do sono não se torne impositivo, que não respeite a necessidade efetiva de sono de cada uma das crianças. Ou seja, embora tenhamos estruturado a rotina institucional de descanso, a cada ano estabelecemos os rituais próprios para as turmas e para cada criança.

No início do ano, por conta da adaptação de novas crianças, quando chega a hora do relaxamento, muitas demonstram estranhamento, choram e se recusam a adormecer, mas, dia a dia, vão ganhando segurança e em pouco tempo incorporam este momento de modo seguro.

 

 

Para organizar o descanso de qualidade, levamos as crianças já habituadas ao quarto e mantemos o ritual já conhecido por elas. Com as crianças novas, inicialmente, procuramos garantir que durmam e isso pode ocorrer tanto num passeio num carrinho, ou sendo embaladas no colo na área externa ou mesmo com a ajuda de quem a estiver acompanhando na adaptação.

Depois, vamos apresentando-lhes o quarto e fazendo tentativas para que se ambientem com este espaço e consigam adormecer por lá. De modo geral, ocorrem muitas idas e vindas, até que conseguimos garantir a tranquilidade e qualidade deste momento para todas as crianças.

Quando isso ocorre, ficamos com a sensação de muita alegria, pois é encantador ver cada uma das crianças, caminhando tranquilamente até o dormitório, escolhendo onde deitar e recebendo os acessórios que as ajudam a adormecer.

Há as que cantam para se embalar, outras enroscam os dedos nos cabelos, outras ficam virando até achar uma posição confortável… e em pouco tempo todas estão dormindo. Há aquelas que dificilmente dormem, mas que aproveitam para descansar e ficar em contato consigo mesmas, se reabastecendo para continuar brincando após o descanso.

À medida que o tempo foi passando, o momento do descanso foi se tornando bastante tranquilo. As crianças escolhiam onde queriam dormir, as que tinham necessidade, recebiam seus objetos de apego e eram embaladas com cantigas, balanços sutis no corpo ou cafunés.

Nas turmas das crianças maiores, devido a mudanças nas turmas (chegada de novas crianças, saídas de outras, convívio com novas educadoras) e ao próprio crescimento, a resistência começa a aparecer de modo mais frequente, pois elas deixam de necessitar do descanso no início ou meio da tarde, mas acabam sendo vencidas pelo cansaço no final do dia e adormecem num horário que irá interferir no sono noturno. Como já brincam mais entre si, a ida coletiva ao quarto acaba virando uma grande bagunça e pode se transformar num momento bastante agitado.

Sempre ficamos em dúvida, se efetivamente o sono é necessário para estas crianças maiores. E nas situações em que permanecem acordadas, avaliamos como fica o bom humor e disposição. Nos últimos dois anos, definimos que somente aquelas que ficam em período integral, ou que chegam para almoçar devem ter um horário estabelecido de sono. As demais, podem continuar a soneca do carro no momento da chegada do período da tarde ou descansarem próximas ao grupo no meio da tarde.

Assim, sentimos que cuidamos cada vez melhor da singularidade de cada uma das crianças e garantimos seu bem-estar físico e emocional, conversando e cuidando dia a dia da organização da rotina de sono, a fim de que cada criança possa ter seu descanso assegurado. E sempre nos mantemos atentas para que nenhuma criança seja obrigada a dormir, sem que tenha necessidade física.

 

Alimentação infantil: reflexões sobre o ensinar a comer

 

Um dos importantes pilares que sustentam a qualidade de nosso Espaço da Vila é a escolha cuidadosa da alimentação, baseada em cardápios e produtos saudáveis. Dessa forma, refletir sobre alimentação com as famílias é muito importante. Esse texto não tem o objetivo de questionar valores ou manifestações de afeto alimentar, mas refletir sobre nossos desejos e ansiedades em relação ao que comemos e ensinamos nossas crianças a comer.

por Silmara Luz e Ana Paula Yazbek

 

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Construindo hábitos alimentares

Desde o nascimento, o ato de alimentar-se ou nos alimentarem representa muito mais do que a simples necessidade fisiológica de suprir o corpo com nutrientes. Daí toda nossa história, cultura, prazeres, afetos e ansiedades relacionadas ao que comemos. Quem rapidamente não se lembra de carinhos de família ao sentir o cheiro ou o gosto de alguma comida especial?

E são os adultos que devem dar os parâmetros para que a criança construa seu acervo alimentar e dê segurança de que isso faz parte das necessidades e cuidados para com ela. Dentre estes parâmetros, podemos citar: comer nos horários das refeições, experimentar alimentos diferentes para construir seu léxico de paladares, prazeres e também memórias afetivas que envolvem história pessoal e familiar de cuidado, amor, ética… Parâmetros que todos construímos nos almoços em família no domingo, com os cheiros da comida da avó, com os barulhos da cozinha, com os cuidados de infância. A comida não deve representar a única forma de conforto, o que também traz problemas, mas uma relação feliz com ela deve ser construída a fim de que possamos nos alimentar com atenção e cuidado, mas também com prazer.

Assim, a participação dos pais na construção do vocabulário gastronômico da criança é o primeiro passo para que ela perceba a importância dos hábitos alimentares e desenvolva seu próprio caminho para isso. Para tanto, é fundamental que a família se predisponha a fazer algumas das refeições da semana em conjunto, e que os filhos vejam os pais se alimentando e partilhando dos mesmos alimentos. Que nestas refeições sejam oferecidos vários alimentos, mesmo aqueles que inicialmente as crianças costumam recusar. Há trabalhos científicos que citam a necessidade de se oferecer várias vezes o alimento para que a criança se habitue com ele antes de experimentá-lo/recusá-lo. Ainda é comum que as crianças exibam preferências alimentares em determinados momentos ou fases que rapidamente podem ser alterados, por isso, é importante que sempre estejam disponíveis e presentes nos hábitos da família. Na infância é sempre cedo afirmar que “fulano não gosta disso”, em especial na presença de fulano…

Assim, a participação dos pais na construção do vocabulário gastronômico da criança é o primeiro passo para que ela perceba a importância dos hábitos alimentares e desenvolva seu próprio caminho para isso.

Mesmo variando-se o ambiente, a hora da refeição deve se apresentar de forma organizada, oferecendo indícios de seu início para a criança: mesa posta, mãos lavadas, talheres dispostos. Ao mesmo tempo, deve-se evitar o uso de subterfúgios (objetos ou brinquedos) que desprendam a atenção dela sobre o ato de alimentar-se. O que não exime a possibilidade da interação lúdica no ato de comer ou mesmo que a criança brinque com sua comida enquanto come. Ex.: A boca de dragão para comer a gororoba do Shrek (um creme de espinafre) ou ainda que as azeitonas encaixem-se em cada um dos dedinhos antes de serem ingeridas.

Outro aspecto são os sentidos da alimentação. A percepção de fome e saciedade corresponde a informações fisiológicas importantes do organismo e que são individuais. Desenvolver estas percepções depende da experiência e do respeito por estas informações que vêm da criança. Deve-se prestar atenção se as recusas iniciais têm a ver com satisfação fisiológica (se a criança já comeu) ou com outras questões (preferências, desconfortos com a ingestão, resistência e ansiedade). Para isso, é necessário observação, paciência e disponibilidade para com a história da criança.

Não podemos deixar de observar também a nossa atitude em relação à alimentação da criança. Superalimentá-la pode ser um sinal de nosso medo pelo não cuidado, ou mesmo culpa por algum outro cuidado que não foi executado da forma planejada. Daí a importância da observação e respeito à relação entre o limite de saciedade da criança e os volumes oferecidos.

Não podemos deixar de observar também a nossa atitude em relação à alimentação da criança. Superalimentá-la pode ser um sinal de nosso medo pelo não cuidado, ou mesmo culpa por algum outro cuidado que não foi executado da forma planejada.

Ainda no que diz respeito a nossa postura em relação alimentação da criança, é muito comum usar a comida como moeda de troca ou fazer barganhas para se comer bem. Guloseimas como premiação por comer bem, remetem a valores de que a comida por si não é boa ou ainda que as guloseimas valham mais e por isso devem ser merecidas “a duras penas”. Uma sobremesa gostosa deve vir após uma refeição gostosa. Não deve ser substituta dela e nem valer mais. As guloseimas devem fazer parte das preferências alimentares assim como os demais alimentos, pois também não podem ser afastadas em absoluto dos hábitos, uma vez que constituem como parte da cultura gastronômica de qualquer povo. Como todo alimento, consumidas com moderação podem ser fontes de prazer e também de nutrientes necessários em pequenas quantidades em nosso organismo.

A partir dessa moderação com os doces, chocolates, bolos podemos refletir sobre outra questão interessante: a dos extremos alimentares. Com todo conhecimento científico que recebemos a respeito e também a quantidade de produtos industrializados de qualidade duvidosa, podemos cair num extremo, da mesma forma, pouco saudável para a relação feliz com a comida. Ou seja, hábitos alimentares absolutamente saudáveis, como pouco sal, ausência de refinados (açúcar, farinha e arroz brancos), mas completamente fora dos hábitos culturais do nosso grupo e também dos hábitos da família podem ser a porta de entrada para outros problemas alimentares como o do exagero/obsessão pelos alimentos ou da dificuldade de partilhar/socializar o ato de comer, por exemplo.

O uso moderado de alimentos industrializados ou das guloseimas fazem e devem fazer parte do hábito alimentar de crianças uma vez que são elementos da cultura moderna e até mesmo para aprender a escalonar os valores sobre o que é saudável ou gostoso. Também permitem que não se sintam limitados a apenas um espectro do léxico.

Entretanto, sempre cabe o bom senso sobre o que e quanto é oferecido às crianças. Aqui parece caber um questionamento sobre a qualidade do que se oferece.

Mesmo chamando para a reflexão a respeito, entendemos que todos aprendemos de alguma forma a nos alimentar bem. Todos temos memórias afetivas boas em relação à comida e também construímos o desejo de uma dieta* favorável a nossa saúde. Não complicar esse ato, assim como, optar pela comida mais simples, mas cuidada, parece ser a decisão mais sábia. Dessa forma, parece possível que as neuras e exageros não retirem um dos elementos igualmente importantes ao fisiológico e cultural em nossas refeições que é o prazer que temos quando comemos bem.

* O termo dieta não é empregado aqui como restrição alimentar, mas sim o conjunto de regras de envolvem nossos hábitos alimentares, ou seja, o quê, quanto, quando, como, onde, com quem comemos.

Silmara Luz é professora de Educação Física com doutorado em Nutrição Humana. Trabalha com a formação destes profissionais na universidade abordando aspectos nutricionais na educação física e na educação.

Ana Paula Yazbek é diretora pedagógica do Espaço da Vila, formada em Pedagogia pela USP e atua também em projetos de formação de educadores.

Febre amarela na cidade? Por que ela chegou até nós?

A febre amarela tem chegado mais perto das cidades e preocupa as pessoas, causando filas nos postos de saúde que oferecem vacinas contra a doença

Entrevista com o pediatra Dr. José Armando Simões Macedo

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Comum na região amazônica, a febre amarela tem causado preocupação na população do Estado de São Paulo e também de outras regiões do país. O vírus é mais preponderante na forma silvestre, mas teme-se que ele tome a forma urbana – casos que não são registrados no país desde 1942 –  o que causaria uma grande epidemia difícil de ser controlada.

Transmitido, principalmente, pelo mosquito da espécie haemagogus, o vírus também pode se espalhar por meio do Aedes aegypti, mosquito em abundância no Estado e que já causa grandes transtornos com a transmissão de outras doenças como a dengue, chikungunya e zika. A OMS (Organização Mundial da Saúde) já considera o Estado de São Paulo uma área de risco para a febre amarela. Os que visitarem a cidade precisam estar imunizados.

Desde 2014, as mortes causadas pela febre amarela comprovam a circulação do vírus em outras áreas no país. O rompimento da barragem de Fundão, próximo à cidade de Mariana (MG), em 2015, pode ter contribuído de forma importante para a circulação do vírus na região sudeste do Brasil, já que o impacto ambiental modificou biodiversidades.

O Espaço da Vila conversou, no final de janeiro, com o pediatra Dr. José Armando Simões Macedo para esclarecer alguns pontos da doença e saber a melhor forma de nos prevenir e proteger os pequenos desta perigosa doença. José Armando é formado pela Unifesp, tem 28 anos de experiência em consultório. Também é homeopata membro da Associação Paulista de Homeopatia e estudos em Psicologia e estuda, há 15 anos,  o pediatra e psicanalista inglês Winnicott no Instituto Sedes Sapientiae. Acompanhe.     

 

Espaço da Vila. Diante de tantas notícias, ficamos em dúvida sobre o perigo real de se contrair a febre amarela na cidade. Estamos diante de um surto? Você poderia falar a respeito?

Não estamos em um surto! Até agora (dia 23/01) foram 41 casos para 42 milhões de habitantes do Estado de São Paulo. Então, é uma chance em 1 milhão de você pegar febre amarela.  O que está acontecendo é o aumento da febre amarela silvestre nos macacos. Li um artigo de uma bióloga que associa este aumento ao estresse causado em função do acidente em Mariana, que ocasionou a destruição de ecossistemas, redução de alimentação, migração de macacos e competição de grupos por comida e por espaço. Devido ao aumento da febre amarela silvestre o Governo está buscando maneiras de evitar que ela se transforme em febre amarela urbana, por isso a intensiva campanha de vacinação.

Espaço da Vila. O que os pais devem fazer para proteger seus filhos? Qual a sua opinião sobre as filas em postos de vacinação e as notícias da mídia sobre os fatos que envolvem a febre amarela?

O governo quer imunizar a população e, de fato, ela é importante, pois nas cidades existem muitos insetos, inclusive o Aedes aegypti que pode tornar-se transmissor do vírus. Se um ser humano, picado por um haemagogus na mata, desenvolver a febre amarela e for picado por um Aedes aegypti,  este inseto começa a  transmitir a febre amarela de ser humano para ser humano, caso isso ocorra pode se configurar uma epidemia de muito difícil controle, pois é uma doença que tem 40% de mortalidade por insuficiência hepática e hemorragia.

Não tem sistema de saúde, em qualquer país do mundo, que dê conta de tantos pacientes graves. É isso que se quer evitar. Quem não mora perto de mata, não corre um perigo imediato e não precisa sair correndo para vacinar, pode aguardar um pouco. Nós não temos ainda uma epidemia de febre amarela urbana.

Espaço da Vila. A vacina fracionada tem a mesma eficácia da não fracionada?

A vacina fracionada não foi testada quanto à sua eficácia. Não se sabe se ela é eficaz por três, por oito ou por dez anos. O que se sabe e que se quer vacinar o maior número de pessoas com menor risco possível de reações graves para conter essa possibilidade de epidemia de febre amarela urbana nos próximos 3 ou 4 anos. Eu acho que isso é uma tentativa válida.

Espaço da Vila. Há informações que as pessoas já vacinadas uma vez estão imunizadas. Você poderia nos esclarecer o porquê da carteira de vacinação da febre amarela durar apenas 10 anos quando se viaja para cidades ou países com este protocolo de vacinação? 

Sempre se desconfiou dessa norma de dar vacina a cada 10 anos. E, recentemente, a Organização Mundial de Saúde confirmou o fato de que uma dose na vida confere proteção. Então, quem já tomou vacina, não precisa vacinar de novo.

 


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